por
Data
under
tagged ,
Permalink

Bauma 2013 superou todos os recordes

Bauma03Mais de 530.000 visitantes e 3.420 expositores são cifras que denotam não apenas uma indústria em pleno fôlego criativo e produtivo, mas também uma aceleração das actividades de construção e minas em várias regiões do mundo, embora na Europa a conjuntura reflicta exactamente o inverso. A afluência a Munique de profissionais oriundos dos países denominados por emergentes e os negócios que estes fecharam na Bauma 2013 atestam as grandes mudanças que decorrem globalmente em âmbitos como o urbanismo, a energia ou as comunicações.

Nunca a Bauma recebera tantos visitantes internacionais: na sua 30ª edição estiveram cidadãos oriundos de mais de 200 países e as empresas expositoras representaram 57 nacionalidades.

bauma 2013Igualmente significativas foram as manifestações favoráveis em relação ao impacto comercial para os expositores, tanto no que concerne a contactos estabelecidos – perspectivas de negócio – como em vendas concluídas no decurso do salão. E aqui as opiniões convergem: para os fabricantes que encaram a Bauma como uma plataforma impulsionadora das suas exportações, o feedback que sentiram ultrapassou as melhores expectativas, mesmo sabendo de antemão que na edição de 2013 notar-se-iam os efeitos do momento favorável experimentado em inúmeros mercados que estão a infraestruturar-se e que mantêm índices importantes de crescimento económico.

Mesmo assistindo-se a algum abrandamento em 2011 e 2012, não generalizado, tudo indica que o sector industrial de máquinas e equipamentos para construção, minas, reciclagem e energia beneficiará durante os próximos anos de uma procura constante, impulsionadora de acréscimos de produção.

Fonte do Comité Europeu da Indústria de Equipamentos de Construção (CECE), referir-nos-ia, salientando tratar-se de uma opinião puramente pessoal e não institucional, que “o período de incerteza com que as empresas estão a debater-se na Europa vem produzindo efeitos extremamente nefastos, impedindo-as de se dotarem de recursos que as capacitem para competir longe dos seus mercados de origem. Olhando o que está a acontecer e o que aí vem no âmbito da construção em muitos países, é urgente a UE definir linhas de acção que recoloquem investimentos nas actividades fabris – são fortemente empregadoras e estabelecem redes comerciais e tecnológicas imprescindíveis”.

A maior participação externa de sempre

bauma 2013Klaus Dittrich, Chairman e CEO da Messe München, considera o forte acréscimo da participação externa como um dos grandes êxitos desta edição: “Os expositores manifestaram-nos a sua satisfação pela grande afluência internacional à Bauma, avaliada em mais de 200.000 visitantes profissionais provenientes de fora da Alemanha. Na perspectiva dos negócios realizados e da aproximação a utilizadores de todo o mundo, as opiniões são também muito positivas.”

Os dez países mais representados pelo público visitante foram a Alemanha, Áustria, Suíça, Itália, Federação Russa, França, Holanda, Reino Unido, Suécia e Polónia. Da Indonésia, nação convidada do certame, houve a presença de instituições governamentais e de empresários dos sectores representados, totalizando mais de 800 pessoas.

Quer através de delegações organizadas, quer individualmente, afluíram à Bauma 2013 cidadãos da China, Índia, Brasil, Turquia, Arábia Saudita, Austrália, África do Sul, Colômbia ou Peru, entre muitas outras nacionalidades.

“A quantidade e diversidade de visitantes são excelentes para esta indústria, que vive tempos de turbulência, e vão certamente gerar impactos favoráveis a vários níveis”, destacaria Johann Sailer, Chairman da Associação de Fabricantes de Máquinas e Equipamentos para Construção, pertencente à VDMA, que preside também ao CECE.

Volume de encomendas/negócios em alta

bauma 2013No total, 3.420 expositores – 2.074 estrangeiros e 1.346 da Alemanha – provenientes de 57 países, levaram à Messe München os seus últimos avanços tecnológicos em máquinas e equipamentos para construção, minas, reciclagem e mais âmbitos. A área ocupada constituiu também um recorde absoluto, fixando-se em 570.000 metros quadrados.

“Para a Herrenknecht, foi um acontecimento notável: classificamos de excelente a audiência que tivemos no que respeita a decisores e quadros técnicos, proporcionando-nos a possibilidade de explicar com alguma pormenorização os desenvolvimentos que estamos a implementar nos domínios da construção de túneis e operações mineiras de subsolo”, disse Martin Herrenknecht, fundador e Chairman do Conselho de Administração da Herrenknecht AG.

Ron DeFeo, Chairman e CEO da Terex Corporation, mostrou-se igualmente impressionado: “Tratando-se do maior evento deste ramo da indústria, a Bauma é uma oportunidade única para recebermos os nossos clientes, tomando também contacto com diferentes realidades e reforçando as ligações com profissionais de todo o mundo que actuam nas áreas que abrangemos.”

Membro do Conselho de Administração da Liebherr-International AG, Stefan Heissler, abordaria directamente o tema da comercialização no decurso do certame: “Recebemos muitas encomendas novas e concretizámos várias negociações, o que constituiu um êxito absoluto para as divisões de equipamentos para construção e minas da Liebherr. E toda esta procura teve uma componente global que considero extraordinária.”

Bauma05Michael Heidemann, CCA da Zeppelin Baumaschinen GmbH, também salienta as vendas realizadas pelo distribuidor alemão da Caterpillar: “Notámos sempre, desde o primeiro dia, no nosso stand e no da Caterpillar Inc., uma excelente afluência que acabaria por traduzir-se numa cifra recorde relativamente à facturação realizada em todas a edições em que participámos.

O Vice-presidente da chinesa XCMG, Yanmei Zhang, diria que “recebemos encomendas que correspondem a um valor total de aproximadamente 10 milhões de euros, cerca de 120 máquinas vendidas, o que caracterizo como um retorno importante obtido com a nossa participação da Bauma 2013”.

Raul Garcia, Director de Marketing da empresa espanhola Ulma refere tratar-se de “um encontro prioritário”, afirmando que “continuaremos a expor nas próximas edições, porque estamos bastante satisfeitos com os resultados”.

“É o principal acontecimento do sector e se este ano as nossas expectativas já eram altas, na prática foram mesmo superadas”, disse Frank W. Reschke, Director Comercial e Membro do CA da Masa GmbH.

Mercados: Europa trava a fundo, resto do mundo mantém crescimento

As medidas de austeridade em prática na Europa e a restrição no crédito às empresas são os dois factores que mais têm contribuído para uma quebra relevante nas vendas de máquinas e equipamentos para construção e minas.

Contrastando com a conjuntura experimentada sobretudo na UE e na Zona Euro, estima-se que este sector industrial crescerá globalmente 3 por cento em 2013, após dois anos consecutivos de abrandamento. Esta retoma resulta sobretudo da demanda procedente das economias que estão a reflectir índices de desenvolvimento constantes: em 2001, a China absorvia cerca de 10 por cento da produção mundial de máquinas de construção e minas – hoje, a sua parcela de consumo ascende a 40 por cento. Países como o Brasil, a Indonésia, a Índia, a África do Sul ou alguns os Estados Árabes têm revelado aumentos significativos das suas quotas referentes à aquisição.

Segundo o estudo Construction Equipment Outlook, realizado pelas instituições Unacea-Prometeia, em 2012 forma vendidas aproximadamente 700.000 unidades de máquinas de movimentação de terras, o que constituiu um decréscimo de 13 por cento face a 2011.

Em relação à Europa, as maiores – e não as únicas – quebras no ano passado ocorreram em Espanha, Itália, Portugal e Grécia, enquanto mercados como a Rússia, Turquia, Noruega ou Dinamarca apresentaram evoluções nos vários segmentos observados.

Volume impressionante de novas infra-estruturas

bauma 2013O governo chinês voltou a anunciar ambiciosos planos de construção de infra-estruturas e de fomento habitacional num horizonte de sete anos, com o intuito de responder à procura por parte de uma classe média em célere expansão.

Mas as perspectivas animadoras no que se refere às actividades de edificação surgem também da Índia, que tem em marcha um programa rodo-ferroviário de extraordinária amplitude para ligar três das suas urbes mais grandiosas – Nova Deli, Mumbai e Calcutá – ampliando também as redes suburbanas daquelas cidades. Só estes projectos de mobilidade valem muitos biliões de dólares, todavia há mais a somar-lhes: geração e abastecimento de energia eléctrica, saneamento básico em muitas localidades, construção e reabilitação de estradas, portos e aeroportos, unidades de tratamento de resíduos e um extenso plano de investimentos direccionados à industrialização do país.

No Brasil, por via do impulso resultante dos programas governamentais para habitação, infra-estruturas e indústria, em paralelo às obras inerentes ao Mundial de Futebol e Jogos Olímpicos, é esperada uma nova vaga de projectos com arranque já delineado para 2013.

Na América Latina, em África e no Médio Oriente, há sinais positivos de aceleração nas actividades de construção por exemplo no Peru, Colômbia, África do Sul, Angola, Moçambique, Quénia, Arábia Saudita, Qatar ou Kuwait, englobando essencialmente projectos de infra-estruturas promovidos pelos governos, mas também com origem numa fortíssima alocação de investimentos privados.